segunda-feira, 2 de outubro de 2023

José COBO CANO

 Sua Eminência Reverendíssima José Cardeal COBO CANO

Arcebispo Metropolita de Madrid

Nascimento: 20/09/1965, em Sabiote - Espanha.

Educação: Direito pela Universidade Complutense de Madrid; Teologia pela Universidade Eclesiástica de São Dâmaso; Mestrado em Teologia Moral pela Universidade Pontifícia Comillas.

Sacerdócio: 23/04/1994 para a Arquidiocese de Madrid.

Ministério Pastoral: Professor; Vigário Paroquial; Pároco; Vigário Episcopal. 

Episcopado: 17/02/2018, como Bispo Auxiliar de Madrid; promovido a Arcebispo Metropolita em 12/06/2023.

Cardinalato: 30/09/2023, para o Título de Santa Maria "in Monserrato degli Spagnoli".

Participou do Conclave que elegeu Leão XIV.

Gozará do direito de participar do Conclave e eleger o Bispo de Roma até 20/09/2045, quando completará 80 anos de idade.

Protase RUGAMBWA

 Sua Eminência Reverendíssima Protase Cardeal RUGAMBWA

Arcebispo Metropolia de Tabora

RUGAMBWA

Nascimento: 31/05/1960 em Bunena - Tanzânia.

Educação: Seminário Menor de Katoke Itaga; Filosofia no Seminário Maior de Kibosho e Teologia no Seminário Maior São Charles Lwanga; Doutorado em Teologia Pastoral pela Pontifícia Universidade Lateranense.

Sacerdócio: 2/09/1990 para a Diocese de Rulenge.

Ministério Pastoral: Vigário Paroquial; Professor de Seminário; Capelão de Hospital; Vigário Geral; Oficial na Cúria Romana.

Episcopado: 13/04/2008, como Bispo de Kigoma; elevado a Arcebispo titular e nomeado Secretário Adjunto da Congregação para a Evangelização dos Povos em 26/06/2012; promovido a Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos em 19/11/2017; transferido como Arcebispo Coadjutor de Tabora em 13/04/2023; sucedeu naquela Sé em 11/11/2023.

Cardinalato: 30/09/2023, para o Título de Santa Maria "in Montesanto".

Participou do Conclave que elegeu Leão XIV.

Gozará do direito de participar do Conclave e eleger o Bispo de Roma até 31/05/2040, quando completará 80 anos de idade.

Sebastian FRANCIS

 Sua Eminência Reverendíssima Sebastian Cardeal FRANCIS

Bispo de Penang

Nascimento: 11/11/1951 em Johor Bahru - Malásia.

Educação: Seminário Menor de São Francisco Xavier (Cingapura); Teologia no Colégio Geral do Seminário de Penang; Mestrado em Teologia Dogmática pela universidade de Santo Tomás de Aquino de Roma. 

Sacerdócio: 28/07/1977 para a Diocese de Melaka-Johor.

Ministério Pastoral: Diretor Espiritual e Formador de Seminário; Vigário Geral.

Episcopado: 20/08/2012 como Bispo de Penang.

Cardinalato: 30/09/2023, para o Título de Santa Maria "Causa Nostrae Laetitiae".

Participou do Conclave que elegeu Leão XIV.

Gozará do direito de participar do Conclave e eleger o Bispo de Roma até 11/11/2031, quando completará 80 anos de idade.

Stephen CHOW SAU-YAN

 Sua Eminência Reverendíssima Stephen Cardeal CHOW SAU-YAN

Bispo de Hong Kong


Nascimento: 7/08/1959, em Hong Kong - China.

Educação: Psicologia, Filosofia e Mestrado em Psicologia da Educação na Universidade de Minnesota (EUA); Mestrado em Filosofia pelo Milltown Institute of Philosophy and Theology de Dublin (Irlanda); Teologia no Seminário do Espírito Santo (Hong Kong); Mestrado em Desenvolvimento Organizacional pela Loyola University de Chicago (EUA); Doutorado em Educação pela Harvard University (EUA).

Sacerdócio: 16/07/1994, para a Sociedade de Jesus.

Ministério Pastoral: Capelão, Professor e Diretor de Colégio; Superior Provincial.

Episcopado: 4/12/2021, como Bispo de Hong Kong.

Cardinalato: 30/09/2023, para o Título de São João Batista de La Salle.

Participou do Conclave que elegeu Leão XIV.

Gozará do direito de participar do Conclave e eleger o Bispo de Roma até 7/08/2039, quando completará 80 anos de idade.

François-Xavier BUSTILLO

 Sua Eminência Reverendíssima François-Xavier Cardeal BUSTILLO

Bispo de Ajaccio


Nascimento: 23/11/1968, em Pamplona - Espanha.

Educação: Filosofia e Teologia no Istituto Teologico Sant'Antonio Dottore em Pádua na Itália; Mestrado em Teologia pela Universidade Católica de Toulouse.

Sacerdócio: 10/09/1994 para a Ordem dos Frades Menores Conventuais.

Ministério Pastoral: Pároco, Custódio Provincial, Vigário Episcopal; Guardião do Convento de São Maximiliano Kolbe de Lourdes.

Episcopado: 13/06/2021, como Bispo de Ajaccio na Córsega.

Cardinalato: 30/09/2023, para o Título de Santa Maria Imaculada de Lourdes "a Boccea". 

Participou do Conclave que elegeu Leão XIV.

Gozará do direito de participar do Conclave e eleger o Bispo de Roma até 23/11/2048, quando completará 80 anos de idade.

Américo Manuel Alves AGUIAR

 Sua Eminência Reverendíssima Américo Manuel Alves Cardeal AGUIAR

Bispo de Setúbal


Nascimento: 12/12/1973, em Leça do Balio - Portugal.

Educação: Filosofia e Teologia (Seminário Maior do Porto); Mestrado em Ciências da Comunicação (Universidade Católica de Portugal).

Sacerdócio: 8/07/2001 para a Diocese do Porto.

Ministério Pastoral: Secretário do Bispado; Pároco; Vigário-Geral; Coordenador da Comissão Episcopal para a Cultura.

Episcopado: 31/03/2019, como Bispo Titular e nomeado Auxiliar de Lisboa; promovido a Bispo de Setúbal em 21/09/2023.

Cardinalato: 30/09/2023, com o Título de Santo Antônio de Pádua "in Via Merulana". 

Participou do Conclave que elegeu Leão XIV.

Gozará do direito de participar do Conclave e eleger o Bispo de Roma até 12/12/2053, quando completará 80 anos de idade.

Ángel FERNÁNDEZ ARTIME

 Sua Eminência Reverendíssima Ángel Cardeal FERNÁNDEZ ARTIME

Pró-Prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada

Arcebispo titular de Ursona

Nascimento: 21/08/1960, em Gozón-Luanco - Espanha.

Educação: Filosofia, Pedagogia e Teologia pela Universidade de Valladolid.

Sacerdócio: 4/07/1987, para a Sociedade Salesiana.

Ministério Pastoral: Professor; Diretor de Colégio; Provincial e Reitor Maior.

Episcopado: 20/04/2024, como Arcebispo titular de Ursona; nomeado Pró-Prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada em 6/01/2024.

Cardinalato: 30/09/2023, para a Diaconia de Santa Maria Auxiliadora "a Via Tuscolana".

Participou do Conclave que elegeu Leão XIV.

Gozará do direito de participar do Conclave e eleger o Bispo de Roma até 21/08/2040, quando completará 80 anos de idade.

Agostino MARCHETTO

 Sua Eminência Reverendíssima Agostino Cardeal MARCHETTO

Arcebispo titular de Écija

Nascimento: 28/08/1940, em Vicenza - Itália.  

Educação: Filosofia e Teologia no Seminário de Vicenza; Pontifícia Academia Eclesiástica.

Sacerdócio: 28/06/1964 para a Diocese de Vicenza.

Ministério Pastoral: Oficial de Nunciatura em Cuba, Zâmbia, Argélia, Portugal e Moçambique.

Episcopado: 1º/11/1985, como Arcebispo titular e nomeado Pró-Núncio Apostólico em Madagascar e Maurício; transferido como Pró-Núncio na Tanzânia em 7/12/1990; promovido a Núncio Apostólico na Bielorrússia em 18/05/1994 e transferido como Observador Permanente da Santa Sé junto a FAO em 8/07/1999; transferido como Secretário do Pontifício Conselho para o Cuidado Pastoral dos Migrantes e Itinerantes em 6/11/2011; renunciou ao ofício em 25/08/2010.

Cardinalato: 30/09/2023, para a Diaconia de Santa Maria Goretti.

Criado cardeal já octogenário, jamais participará do conclave para a eleição do Sumo Pontífice.

Diego Rafael PADRÓN SÁNCHEZ

 Sua Eminência Reverendíssima Diego Rafael Cardeal PADRÓN SÁNCHEZ

Arcebispo Metropolita Emérito de Cumaná

PADRON SANCHEZ

Nascimento: 17/05/1939, em Montalbán - Venezuela.

Educação: Seminário Menor de Valencia e Seminário Maior Interdiocesano de Caracas (Filosofia e Teologia); Licenciatura pelo Instituto Pedagógico Nacional; Mestrado em Sagrada Escritura pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma; 

Sacerdócio: 4/08/1963, para a Diocese de Valencia.

Ministério Pastoral: Prefeito de Disciplina e de Estudos no Seminário de Valencia; Pároco e Professor do Seminário Maior Interdiocesano de Caracas.

Episcopado: 27/05/1990, como Bispo Auxiliar de Caracas; promovido a Bispo de Maturín em 7/05/1994; promovido a Arcebispo Metropolita de Cumaná em 23/03/2002; renunciou ao ofício em 24/05/2018.

Cardinalato: 30/09/2023, para o Título de São Caetano.

Criado cardeal já octogenário, jamais participará do conclave para a eleição do Sumo Pontífice.

domingo, 1 de outubro de 2023

Cardeal D'Rozario completa 80 anos

Sua Eminência Reverendíssima o senhor Cardeal Patrick D'Rozario, CSC, Arcebispo Metropolita  Emérito de Dhaka (Bangladesh), completa hoje 80 anos. 

Segundo o estabelecido pelo Motu proprio "Ingravescentem aetatem", de 21/11/1970, perdeu o direito de participar do Conclave para a eleição do Romano Pontífice.

Nesta data, o Sacro Colégio dos Cardeais passa a contar com 242 purpurados, dos quais 136 são eleitores e 106 não-eleitores.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Cardeais Guianeses

 


A República Cooperativa da Guiana é um país localizado na América do Sul, cuja capital é Georgetown e tem uma população estimada em 790 mil habitantes. Sua população é bastante diversificada, sendo os descendentes de indianos o grupo majoritário (43%), seguidos pelos afrodescendentes (30%) e pelos indígenas (9%). 

A região foi originalmente habitada por variados grupos indígenas, até ser colonizada por holandeses e finalmente transferida, no final do século XVIII, ao controle britânico. Tornou-se independente em 1966, tornando-se parte da British Commonwealth of Nations em 1970. É o único país sul-americano que tem o inglês como idioma oficial.

A religião cristã é majoritária no país (63%). Há ainda uma minoria significativa de hindus (25%) e de muçulmanos (7%). Entre os cristãos, os anglicanos formam o grupo majoritário, organizados na Diocese Anglicana da Guiana, seguidos pelos católicos e presbiterianos. O grupo que mais cresce atualmente é o dos pentecostais.

A evangelização do país remonta ao ano de 1652 com a chegada do jesuíta Pe. Denis Meland. Se, porém, a obra da evangelização progrediu nos domínios franceses, não houve avanço na região dominada pelos holandeses. No final do século XVIII, os jesuítas voltaram à região do Demerara. 

Em 1819, Roma nomeou um vigário apostólico, o bispo James Buckey, para os católicos residentes nas colônias inglesas e holandesas da Jamaica à Guiana, com sede em Port of Spain.

Em 1824, o Pe. Joseph Anthony Rendon chega a Georgtown para a Páscoa. Em sua segunda visita em 1825, é formado o Committee of Catholic Gentlemen para a edificação de uma capela. Em 1826, o Bispo Buckley nomeia o Frei John Thomas Hynes, OP, como capelão residente.

Em 12/04/1837 foi criado o Vicariato Apostólico da Guiana Britânica e nomeado Vigário Apostólico o irlandês Dom William Clancy, que era Bispo Coadjutor de Charleston nos EUA.

Em 1843, Dom John Thomas Hynes, OP tornou-se administrador apostólico e, em 1846, Vigário Apostólico. Frei Hynes havia sido sagrado bispo em Roma em 1838 para a diocese de Kefalonia-Zakynthos na Grécia.

Em 1857, com a despedida do Bispo Hynes, os jesuítas assumem a evangelização na colônia britânica. Desde então quatro bispos jesuítas (três ingleses e um irlandês) se tornaram vigários apostólicos.

Em 29/02/1956 foi criada a Diocese de Georgetown e nomeado seu primeiro bispo, o jesuíta escocês, Dom Richard Lester Guilly, SJ (1905-1906), que governou a Diocese até  1972.

Em 1971 é consagrado como bispo auxiliar de Georgetown, Dom Benedict Ganesh Singh (1927-2018), que foi Bispo Diocesano de Georgetown de 1972 a 2003. Descendente de indianos, foi o primeiro e único bispo nascido na Guiana.

O terceiro e atual bispo da Diocese de Georgetown é o beneditino Dom Francis Dean Alleyne, OSB, natural de Trinidad e Tobago.

A Diocese conta com 24 paróquias e serve aos 53 mil católicos (7% da população) em todo o país. 

Nunca houve um cardeal nascido na Guiana, tendo falecido em 2003 o único bispo guianês.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Cardeais Finlandeses

 


A Finlândia, Suomi no idioma local, é um país nórdico de 5 milhões e 600 mil habitantes, cuja capital é Helsinki. 

A região é habitada desde o ano 9.000 a.C, no final da última Era de Gelo. Durante a Idade da Pedra várias culturas emergiram, enquanto na Idade do Bronze e na Idade do Ferro ocorreram interações com outras culturas nórdicas e bálticas. Uma forma primitiva de língua fínica surgiu por volta do ano 1.900 a.C.

No século XIII, a Finlândia se tornou parte do Império da Suécia, como resultado das Cuzadas Livônias. A costa da Finlândia foi colonizada pelos cristãos da Suécia, colocando a Finlândia sob a influência da cultura ocidental e da Igreja Católica. 

Em 1809, formou-se o Grão-Ducado da Finlândia, como Estado autônomo, governado pelo Império Russo. Em 1917, a Finlândia declarou sua completa independência, como uma República presidencialista.

Introdução do Cristianismo

Os indícios mais antigos da presença cristã na região datam do século IX e consistem em vestígios encontrados em cemitérios arqueológicos. Provavelmente, essa primeira presença se deveu aos cristãos de tradição oriental.

No século XII, o cristianismo já era dominante na região de Turku, onde o mártir Santo Henrique fundou a primeira Diocese e se tornou seu bispo.

A Diocese de Torku ou Åbo, fundada em 1164 como sufragânea da Arquidiocese de Uppsala, foi extinta em 1522 em consequência da reforma protestante. Estavam presentes os dominicanos, franciscanos e as religiosas de Santa Brígida. A diocese seguia o Rito Dominicano na sua liturgia. 

Reforma Protestante

Com a imposição do luteranismo pelo rei sueco Gustav Vasa (1527), foi nomeado um bispo luterano para Torku, o Vigário Geral da província dominicana da Dácia, Martinus Johannis Skytte, que manteve as antigas formas católicas.

A reforma doutrinal ocorreu sob o Mikael Agricola, discípulo direto de Lutero em Wittenberg, e bispo luterano de Torku de 1554 a 1557. Agricola traduziu a Bíblia e confeccionou a liturgia em finlandês, e também manteve alguns costumes católicos.

Com a criação do Grão-Ducado da Finlândia, a Diocese de Torku se tornou independente da Igreja luterana da Suécia. Foi elevada à Arquidiocese Metropolitana e, juntamente com a Diocese de Porvoo, formou a Igreja luterana da Finlândia.

Em 1869, a Igreja luterana separou-se do Estado, passando a ser governada por um Sínodo. Em 1889, foi legalizada a liberdade de culto a outras Igrejas cristãs. Em 1919, a nova República declarou-se não-confessional e ampliou a liberdade religiosa.

Atualmente, 65% dos finlandeses pertencem à Igreja luterana da Finlândia (cerca de 3 milhões e 600 mil fiéis).

Igreja Ortodoxa Finlandesa

Provavelmente, o cristianismo oriental foi o primeiro a chegar ao território da Finlândia já no século IX. Essas raízes, entretanto, se perderam com a chegada dos cruzados no século XII.

Houve na Karelia uma maioria ortodoxa de etnia russa que, porém, reduziu-se com a conquista da região pela Finlândia. Os remanescentes ortodoxos em território finlandês permaneceu pertencendo à Igreja Ortodoxa Russa até 1923.

Nesse ano, tornou-se uma Igreja autônoma sob o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Compõe-se de 3 dioceses e de apenas 55 mil fiéis (1% da população), a despeito dos esforços do Império Russo que dominou o país por mais de 100 anos. Há um pequeno número de fiéis (cerca de 3 mil) sob a jurisdição da Igreja Ortodoxa Russa.

Renascimento da Igreja Católica

Desde a reforma protestante, as primeiras liturgias católicas foram celebradas na Finlândia em 1796, por Paolo Moretti, Vigário Apostólico da Suécia. Em 1799, foi criada a primeira paróquia em Viipuri (atual Vyborg na Rússia).

Em 1830 já havia cerca de 3 mil católicos, servidos por frades dominicanos da Lituânia e sob jurisdição da Arquidiocese Metropolitana de Mohilev (então parte do Império Russo). Em 1856, foi fundada a Paróquia de Santo Henrique em Helsinki.

Em 1882 os padres e freiras alemães foram expulsos do país e, em 1912, todos os demais religiosos estrangeiros.

Em 1920, foi estabelecido o Vicariato Apostólico da Finlândia, governado por dois bispos holandeses. Foi criada uma paróquia em Torku (1926) e outra em Terijoki (1927). Em 1929, o governo conferiu status legal à Igreja Católica e, em 1942, foram estabelecidas relações diplomáticas com a Santa Sé.

Com o fim da II Guerra Mundial, as paróquias de Viipuri e Terijoki (que passaram à URSS) forma transferidas para Lahti, e uma foi criada em Jyväskylä. Mais uma paróquia foi criada em Helsinki (1954), alcançando um total de 5 paróquias em todo o país.  

Em 1920, foi criada a Diocese de Helsinki, cuja jurisdição cobre todo o país. A Igreja Catedral de Helsinki conserva as relíquias de Santo Henrique, que antes se encontravam na Catedral Luterana de Turku.

O bispo emérito de Helsinki, Dom Teemu Jyrki Juhani Sippo, SCJ (2009-2019), foi o primeiro finlandês ordenado bispo desde a reforma protestante. 

Atualmente há cerca de 17 mil católicos registrados no país e estimadados 10 mil sem registro (0,5% da população), distribuídos em 8 paróquias.

A jurisdição da Diocese de Helsinki se estende às Ilhas Åland, região autônoma de língua sueca. Não há paróquias nas Ilhas, mas duas igrejas que servem à diminuta comunidade católica na capital Mariehamn. As belas igrejas medievais pertencem à Igreja luterana da Finlândia.

Jamais um finlandês foi elevado à púrpura cardinalícia.


 

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Cardeais Groenlandeses

 


Origens

A Groenlândia, Kalaallit Nunaat no idioma local, é um país constituinte do Reino da Dinamarca, localizado na América do Norte. É a maior ilha do mundo e possui pouco mais de 56 mil habitantes. A imensa maioria da população é composta de Inuits, grupo indígena originário do Alasca e presente em todo o Ártico. 

Os Grænlendingar, colonizadores nórdicos originários da Islândia, foram os primeiros europeus a alcançar o continente americano, estabelecendo-se no ano de 986 d.C. em Brattahlí∂, atual Qassiarsuk. Ali também foi erguida a primeira Igreja cristã nas Américas.

Leif Eriksson, filho de Erik the Red, levou o cristianismo para a colônia por volta do ano 1000 d.C. Por volta do ano 1124, os colonos enviaram Einar à corte do rei noroeguês e solicitaram um bispo residencial. Foi enviado o bispo Arnold e, em 1126 d.C., criada a Diocese de Gar∂ar, primeira circunscrição eclesiástica das Américas, sufragânea da Arquidiocese de Nidaros na Noruega.

No auge da colonização, havia 5 mil católicos em dois assentamentos, para os quais foram construídas 16 igrejas e dois mosteiros de monjas beneditinas. Houve 23 bispos entre 1126 e 1537, quando a diocese foi supressa. Desses, apenas os nove primeiros residiram na Ilha, sendo os demais apenas titulares, em razão do fim da colonização nórdica.

Os nórdicos restabeleceram contatos com a Ilha apenas no século XVII. No ano de 1721, uma expedição missionária e mercantil, liderada pelo dinamarquês-noroeguês Hans Eguede e seu filho Poul Egede. Eles estabeleceram uma missão em Godthåb, atual Nuuk.  Poul Egede foi ordenado bispo em 1779. A presença cristã na Groenlândia consistia na missão luterana nórdica e na missão morávia de Matthäus Stach.

Com a dissolução da união das coroas Dinamarquesa e Norueguesa, em 1814, a Ilha ficou sob o controle da primeira, e a missão cristã dirigida pela Igreja Luterana da Dinamarca. Em 1980, foi ordenado um bispo luterano para a Groenlândia e em 1993 foi estabelecida uma diocese independente de Copenhague. A ela pertence a maioria dos cristãos groenlandeses.

Renascimento da Igreja Católica

Embora parte da Prefeitura Apostólica do Polo Norte desde 1855 e, a partir de 1868, da Prefeitura Apostólica da Dinamarca, missionários católicos só visitaram a Groenlândia por volta de 1930, por instância do Vigário Apostólico da Dinamarca.

Em 1972, foi dedicada a Igreja de Cristo Rei, única paróquia na Ilha, pertencente à Diocese de Copenhague. Conta com um sacerdote e cerca de 100 fiéis católicos.

Não houve, até o momento, nenhum groenlandês elevado à púrpura cardinalícia. Não há sequer um sacerdote católico nascido no país desde os tempos da colonização nórdica medieval.

Cardeais Faroeses

 


As Ilhas Faroe são um país constituinte do Reino da Dinamarca, localizadas no Atlântico norte, entre a Escócia e a Islândia. É um arquipélago formado por 18 ilhas maiores e várias outras menores, com cerca de 54 mil habitantes. A cidade de Tórshavn, de apenas 16 mil habitantes, é a capital.

Origens

Há evidências da presença de navegadores das Ilhas Britânicas ou da Irlanda no arquipélago datadas por volta do ano 500 d.C. Entretanto, a colonização só se efetivou com a chegada dos nórdicos em 800 d.C.

O cristianismo foi introduzido por Sigmundur Brestisson (961-1005). A Diocese de Fær Øer foi estabelecida em 1080 d.C., com sede em Kirkjubøur, e como sufragânea da Arquidiocese Metropolitana de Hamburg-Bremen, passando à jurisdição dinamarquesa em 1523 d.C.

Desde sua fundação até a reforma protestante, a Igreja Faroesa foi governada por cerca de 25 bispos católicos, sendo o último Ámundur Ólavsson, falecido em 1538.

O bispo luterano, Jens Riber, durou poucos anos, sendo substituído por um superintendente ou preposto (Dómpróstur), representante do Bispo luterano de Zealand, na Dinamarca. Apenas em 1963, foi escolhido um bispo luterano sufragâneo para as ilhas e, em 1990, criada uma diocese. Em 2007, a Igreja Luterana das Ilhas Faroe se tornou independente da Igreja Luterana da Dinamarca.

Pertencem à Igreja Luterana faroesa cerca de 41 mil fiéis, 77% dos habitantes das ilhas.

Renascimento da Igreja Católica

Com a introdução da liberdade de culto na Constituição Dinamarquesa de 1849, houve uma primeira tentativa de reviver a fé católica nas ilhas. O sacerdote bávaro Georg Bauer chegou a Tórshvn em 1857, construiu uma capela, mas não obteve sucesso. Apenas sete pessoas se fizeram católicas e alguns outros assistiam às funções litúrgicas. Deixou as ilhas em 1880, sem sucessor.

No ano de 1900, havia apenas uma fiel católica na vila de Hvítanes, a quem um sacerdote de Copenhague visitava uma vez ao ano para a celebração da Missa.

Em 1931, dois jovens sacerdotes, um holandês e outro escocês, chegaram às ilhas para restabelecer a Igreja local. Também chegaram as religiosas franciscanas.

Atualmente, a paróquia local, Mariukirkjan em Tórshvn, conta com cerca de 300 fiéis católicos de várias nacionalidades em todo o arquipélago.

Nunca houve um faroês elevado ao cardinalato. Desde a reforma, sequer há um sacerdote católico originário das ilhas. 

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Cardeais Dinamarqueses

 


História

A fé cristã chegou à Dinamarca pelo monge anglo-saxão São Willibrord, no século VIII d.C., cuja missão entre os Frísios não foi bem sucedida.

O Rei Dinamarquês Harald Klak, destronado e exilado, foi batizado no ano 826 d.C., quando esteve refugiado no Império Carolíngio. Retornando à Dinamarca, levou consigo Santo Oscar, o Apóstolo do Norte, cujo trabalho de evangelização deu frutos consistentes.

No século X foram criadas as três primeiras sés da Dinamarca (Schleswig, Ribe e Aarhus) e ordenados seus três primeiros bispos, sufragâneos do Arcebispo Metropolita de Hamburg-Bremen. Poucos anos depois foi criado um quarto bispado em Odense. A conversão oficial do país se deu, porém, em 958 d.C., no reinado de Harald Bluetooth.

Os quatro bispos deixaram o país em 987, com a tomada de poder de Sven Forkbeard, que destronou seu pai. O novo rei apoiou a presença de bispos missionários ingleses, sem sede episcopal permanente. Ao longo do século XI, as dioceses voltaram a ter bispos residenciais.

As heresias luteranas foram introduzidas na Dinamarca por volta do ano 1520, por Hans Tausen, e oficializadas pelo rei Christian II em 1536, com a criação da Igreja Luterana da Dinamarca, ainda hoje religião oficial do Estado. Cerca de 70% dos dinamarqueses de declaram membros da Igreja oficial.

Igreja Católica na Dinamarca

Com a liberdade de culto, foi reorganizada a presença católica no país com a ereção da Prefeitura Apostólica da Dinamarca em 1868. Em 1892 foi promovida a Vicariato Apostólico e consagrado bispo, o alemão Johannes von Euch. Em 1953, foi criada a Diocese de København (Copenhague) e nomeado seu primeiro bispo, o dinamarquês Johannes Theodor Suhr.

A diocese conta com cerca de 53 mil católicos (menos de 1% dos 6 milhões de habitantes) e sua jurisdição se estende a todo o país, à Groenlândia e às Ilhas Faroe. 

Até o momento, nenhum dinamarquês foi elevado ao cardinalato.

Veja também:

Igreja Católica nas Ilhas Faroe

Igreja Católica na Groenlândia

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Cardeais Búlgaros

 


A Bulgária é um país majoritariamente cristão. Com uma população de aproximadamente 6.500.000 habitantes, cerca de 4.200.000 (63%) são cristãos. Desses, a maioria pertence à Igreja Ortodoxa, cujo Patriarcado remonta ao ano 927 d.C. Com o cisma de 1054, a Igreja da Bulgária, seguindo o Patriarcado de Constantinopla, rompeu a comunhão com a Igreja de Roma.

Os católicos somam apenas 60 mil fiéis (menos de 1% da população), distribuídos em 3 jurisdições eclesiásticas: a Diocese de Sofia-Plovdiv e a Diocese de Nikopol (latinas) e a Eparquia de São João XXIII de Sofia (rito bizantino).

Até hoje nenhum búlgaro foi criado cardeal.

domingo, 17 de setembro de 2023

Cardeal Comastri completa 80 anos

 Sua Eminência Reverendíssima o senhor Cardeal Angelo Comastri, Arcipreste Emérito da Basílica Papal de São Pedro, completa hoje 80 anos.

Segundo o estabelecido pelo Motu proprio "Ingravescentem aetatem", de 21/11/1970, perdeu o direito de participar do Conclave para a eleição do Romano Pontífice.

Nesta data, o Sacro Colégio dos Cardeais passa a contar com 221 purpurados, dos quais 119 são eleitores e 102 não-eleitores.

sábado, 26 de agosto de 2023

Falecimento do Cardeal AGNELO

Faleceu hoje, em Londrina, o senhor Cardeal Geraldo Majella Agnelo, aos 89 anos. O Sacro Colégio dos Cardeais passa a contar com 221 purpurados, 120 dos quais são eleitores e 101 não-eleitores.

Sua Eminência Reverendíssima Geraldo Majella Cardeal Agnelo
Arcebispo Metropolita Emérito de São Salvador da Bahia



Nascimento: 19/10/1933, em Juiz de Fora/MG - Brasil.
Educação: Seminário Central de Ipiranga (filosofia e teologia); Pontifício Ateneu Santo Anselmo (doutorado em sagrada liturgia).
Sacerdócio: 27/06/1957.
Ministério Pastoral; trabalhos paroquiais; diretor espiritual; professor; coordenador de pastoral.
Episcopado: 6/08/1978 como Bispo de Toledo; promovido a Arcebispo de Londrina em 4/10/1982; transferido como Secretário da Congregação para o Culto Divino em 16/09/1991; promovido a Arcebispo de São Salvador da Bahia em 13/01/1999; renunciou ao governo da Arquidiocese em 12/01/2011.
Cardinalato: 21/02/2001 com o título de São Gregório Magno "alla Magliana Nuova".
Falecimento: 26/08/2023, em Londrina/PR - Brasil.

Participou dos conclaves que elegeram os papas Bento XVI e Francisco.
Perdeu o direito de eleger o Pontífice Romano em 19/10/2013, quando completou 80 anos de idade.

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Exarcado Apostólico da Rússia


O Exarcado Apostólico da Rússia dos Greco-Católicos é uma das 23 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

A conversão da Rus' de Kiev em 988, por ordem do Grão-Príncipe de Kiev, São Vladimir, o Grande, deu-se quando a cristandade ainda estava unificada. Somente ao longo dos séculos seguintes ao Grande Cisma de 1054 que crenças anti-papais e anti-católicas cresceram como resultado do fortalecimento da aliança da Igreja na Rus' com o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. 

Em 1441, no entanto, o Grão-Príncipe Vasily II de Moscou adotou o cesaropapismo ao ordenar a prisão de Isidoro, Metropolita de Kiev e de toda a Rus', por tentar implementar os decretos de reunificação do Concílio de Florença, e sua substituição pelo Metropolita Jonas. Foi somente então que a Igreja na Rus' se tornou definitivamente cismática e não católica. O cisma foi ainda mais consolidado em 1588, quando a Sé Metropolitana de Moscou foi elevada a patriarcado pelo Patriarca Ecumênico. Nesse momento, a separação havia se tornado completa. 

Ao longo dos séculos seguintes, à medida que um número crescente de membros de Igrejas Católicas Orientais ficou sob o domínio da Casa Imperial dos Romanov, eles enfrentaram uma crescente e brutal perseguição religiosa.

Por exemplo, o czar Pedro, o Grande, cujo anticatolicismo e controle sobre a Igreja Católica na Rússia já haviam causado o martírio do diácono greco-católico Pedro Artemiev no Mosteiro de Solovetsky, ficou tão enfurecido em 11 de julho de 1705 ao ver ícones do santo greco-católico, bispo e mártir São Josafá Kuntsevych, dentro da igreja do mosteiro basiliano em Polotsk, que o czar imediatamente profanou a Eucaristia e, em seguida, assassinou pessoalmente vários sacerdotes que tentaram recuperá-la.

Com a exceção da Igreja Católica Armênia, as Igrejas Católicas Orientais foram cada vez mais tratadas como ilegais no Império Russo, começando com a conversão forçada da Arqueparquia de Polotsk-Vitebsk pelo Bispo Joseph Semashko entre 1837 e 1839 e continuando com a Conversão da Eparquia de Chelm de 1874 a 1875 e o martírio de 13 homens e crianças pelo Exército Imperial Russo na aldeia de Pratulin, perto de Biała Podlaska, em 24 de janeiro de 1874.

É quase certo que foi com esses eventos em mente que Leonid Feodorov, o futuro Exarca Greco-Católico da Rússia e Bielorrússia, previu em Anagni mais de uma década antes da queda da Casa de Romanov: "A Rússia não se arrependerá sem atravessar o Mar Vermelho do sangue de seus mártires e os numerosos sofrimentos de seus apóstolos"; profecia que se materializou na queda do Império e nas perseguições soviéticas.

Em 9 de agosto de 1894, o padre ortodoxo russo Nicholas Tolstoy entrou em plena comunhão com a Santa Sé ao fazer a profissão de fé diante do Bispo Félix Julien Xavier Jourdain de la Passardière na Igreja de São Luís dos Franceses em Moscou. Sob juramento, o Pe. Nicholas renunciou a tudo que era contrário à doutrina católica e aceitou tanto o Concílio de Florença quanto o Primeiro Concílio Vaticano. A pedido do Pe. Nicholas, todos os documentos relacionados à sua conversão foram enviados ao Papa Leão XIII, que os guardou junto a um arquivo pessoal de papéis relacionados a "assuntos pelos quais o Papa estava particularmente interessado."

No entanto, a pessoa mais responsável pela criação da Igreja Greco-Católica Russa foi o Metropolita Andrey Sheptytsky da Igreja Greco-Católica Ucraniana. A obsessão de Sheptytsky em reunir o povo russo com a Santa Sé remonta pelo menos à sua primeira viagem lá em 1887. Depois disso, Sheptytsky "escreveu algumas reflexões" entre outubro e novembro de 1887 e expressou sua crença de que "o Grande Cisma, que se tornou definitivo na Rússia no século XV, era uma árvore má, e era inútil continuar cortando os galhos sem uprotar o tronco, pois os galhos sempre voltariam a crescer."

Após sua elevação a Metropolita de Lviv e Halych sob insistência do Imperador Franz Joseph em 1901, o interesse do Metropolita Andrey pelo povo russo continuou. Disfarçado como um advogado ucraniano em uma viagem de lazer, ele fez uma visita secreta ao Império Russo em 1907, que usou como cobertura para se encontrar e tentar converter clérigos ortodoxos russos.

Entretanto, a política czarista de perseguição aos católicos orientais continuou até a Revolução Russa de 1905, quando o czar Nicolau II concedeu relutantemente a tolerância religiosa. A partir de então, comunidades de greco-católicos russos surgiram e se organizaram. Os "velhos crentes" foram proeminentes nos primeiros anos do movimento.

Após a Revolução Russa de 1905, o Metropolita Andrey Sheptytsky, que buscava assumir a jurisdição sobre o crescente número de católicos orientais na Rússia, teve duas audiências, em 1907 e 1908, com o Papa Pio X, nas quais o assunto da criação de uma Igreja Católica Bizantina subterrânea no Império Russo foi discutido em detalhes. Após ser questionado, o Papa confirmou a crença do Metropolita Andrey de que ele, em vez dos bispos locais do rito romano, já detinha jurisdição sobre todos os católicos bizantinos vivendo sob o czarismo. Para espalhar a Igreja Católica na Rússia, o Papa também concedeu a Sheptytsky toda a autoridade de um Patriarca de uma Igreja Católica Oriental autônoma, mas sem o título, sobre o Império Russo. Além do extremamente raro privilégio de Communicatio in sacris como uma ferramenta de evangelização greco-católica, foi dito a Sheptytsky que ele estava livre para ordenar sacerdotes e até consagrar bispos, reportando-se apenas ao Papa. No entanto, o Papa Pio aconselhou Sheptytsky a adiar o uso aberto de seus poderes até um momento mais oportuno, pois, caso contrário, o infame governo imperial russo anti-católico causaria enormes problemas para ele.

Logo após, a paróquia semi-subterrânea da Igreja Greco-Católica Russa em São Petersburgo se dividiu entre os seguidores do padre pró-latinização, Pe. Aleksei Zerchaninov, e aqueles do padre pró-orientalista, Pe. Ivan Deubner. Quando solicitado pelo Metropolita Andrey Sheptytsky a tomar uma decisão sobre a disputa, o Papa Pio X decretou que os padres greco-católicos russos deveriam oferecer a Divina Liturgia Nec Plus, Nec Minus, Nec Aliter ("Nem mais, nem menos, nem diferente") do que os padres da Igreja Ortodoxa Russa e os velhos crentes.

Após o início da Primeira Guerra Mundial, o Reino de Galícia e Lodomeria, fortemente católico oriental, no Império Austro-Húngaro, foi ocupado pelo Exército Imperial Russo. O conde Georgiy Bobrinsky, um infame membro da administração czarista anti-católica, foi nomeado governador-geral de uma província há muito reivindicada como território russo tanto por eslavófilos extremos quanto moderados. Uma política de perseguição religiosa anti-católica oriental, pogroms anti-judaicos e russificação forçada, além de conversões voluntárias e forçadas ao ortodoxismo russo, foi imediatamente implementada. Apesar de seus esforços para manter uma postura puramente apolítica, o Metropolita Andrey quase imediatamente se tornou um dos muitos leais aos Habsburgo, intelectuais ucranófilos e clérigos da Igreja Greco-Católica Ucraniana que foram presos pela polícia secreta czarista e deportados para a Sibéria. Sheptytsky passou um total de três anos como prisioneiro de consciência sob a custódia de monges ortodoxos russos no Mosteiro de São Eutímio em Suzdal.

Após a Revolução de Fevereiro de 1917 e a abdicação forçada do czar Nicolau II, o novo Governo Provisório Russo ordenou sua libertação. O Metropolita Andrey Sheptytsky viajou imediatamente para São Petersburgo, onde convocou um concílio eclesiástico sob a autoridade secreta que lhe foi concedida pelo Papa Pio X em 1907 e 1908. Durante o Concílio, que ocorreu na Igreja de Santa Catarina de 18 a 29 de maio de 1917, o Metropolita organizou o primeiro Exarcado Apostólico para católicos russos, com o Pe. Leonid Feodorov, ex-seminarista ortodoxo russo, como primeiro Exarca. Entre as medidas notáveis aceitas no sínodo de 1917 estavam o reconhecimento do papa como chefe da Igreja, o uso do mesmo rito da Igreja Ortodoxa Russa em vez do rito romano, a aceitação de todos os santos da Igreja Católica e a utilização do direito canônico das Igrejas Católicas Orientais.

Em 19 de maio de 1917, Vladimir Abrikosov, que junto com sua esposa Anna Abrikosova, havia sido há muito a força motriz por trás da paróquia católica russa anteriormente subterrânea em Moscou, foi ordenado sacerdote pelo Metropolita Andrey Sheptytsky da Igreja Greco-Católica Ucraniana.

A Revolução de Outubro e a perseguição religiosa anti-católica logo se seguiram, dispersando os greco-católicos russos para a Sibéria, o Gulag e a diáspora russa em todo o mundo.

Ao mesmo tempo, as conversões continuaram a ocorrer. Em 1918, o Pe. Potapy Emelianov, um "velho crente" entrou em comunhão com a Santa Sé junto com toda a sua paróquia, localizada em Nizhnaya Bogdanovka, perto de Kadiivka, na atual Oblast de Luhansk, na Ucrânia.

Enquanto isso, o Exarca Leonid Feodorov fez apresentações e participou de discussões com clérigos ortodoxos, incluindo o Patriarca Tikhon de Moscou e o Metropolita Benjamin de Petrogrado. Na época, o Patriarca Tikhon enfrentava o cisma da Igreja Viva, apoiado pelos soviéticos, e estava determinado a defender a independência conquistada do Patriarcado de Moscou, evitando que fosse novamente controlado pelo Estado. Por essa razão, o Patriarca se reunia regularmente para discutir a possível reunificação com o Exarca e com o Pe. Vladimir Abrikosov. O Patriarca também exortava os clérigos e leigos ortodoxos que permaneciam leais a ele a se encontrarem com os católicos russos para discutir a possível reunificação da Igreja Ortodoxa Russa com a Santa Sé, conforme os termos estabelecidos no Concílio de Florença em 1439.

O Estado soviético e sua polícia secreta não tinham intenção de tolerar a possível reunificação do Oriente e do Ocidente e estavam especialmente determinados em sufocar todos os esforços para preservar a continuidade da independência da Igreja Ortodoxa Russa em relação ao poder e controle do Estado. Por essa razão, na primavera de 1923, juntamente com múltiplos coacusados, incluindo o Arcebispo Jan Cieplak e o Monsenhor Konstanty Budkiewicz, o Exarca Leonid Feodorov foi processado por agitação contrarrevolucionária e anti-soviética por Nikolai Krylenko. Feodorov foi considerado culpado e condenado a dez anos nos campos de concentração soviéticos em Solovki, localizados acima do Círculo Polar Ártico, no antigo Mosteiro de Solovetsky no Mar Branco.

Em 1928, um segundo Exarcado Apostólico foi estabelecido para os refugiados greco-católicos russos na China, com sede na Manchúria e liderado pelo padre missionário bielorrusso Fabijan Abrantovich, a partir da Catedral de São Vladimir em Harbin, hoje em ruínas. 

O Collegium Russicum, fundado em 15 de agosto de 1929 pelo Papa Pio XI, tinha como objetivo treinar sacerdotes greco-católicos russos para atuar como missionários na crescente diáspora russa de refugiados políticos anticomunistas e, apesar da perseguição antirreligiosa que ocorria na União Soviética, também naquele país. 

Enquanto isso, o Arcebispo Ortodoxo Russo Bartholomew Remov inicialmente apoiou a declaração de lealdade do Metropolita Sergei, Locum Tenens Patriarcal, ao Estado Soviético em 1927. Em 1932, porém, Bartholomew Remov foi secretamente recebido na Igreja Greco-Católica Russa pelo bispo latino subterrâneo Pie Eugène Neveu. Após a conversão de Remov se tornar conhecida pelo NKVD de Joseph Stalin, o Arcebispo foi preso em 21 de fevereiro de 1935 e acusado de ser "membro do grupo católico de uma organização contrarrevolucionária ligada ao ilegal Mosteiro Petrovsky" e de agitação anti-soviética. Neveu continuou recebendo ortodoxos na Igreja Católica secretamente durante seu tempo na Rússia, até que teve que deixar o país em 1936 para tratamento médico, após o qual não foi permitido retornar pelo governo soviético.

O Exarca Leonid Feodorov morreu em 14 de março de 1935 em Viatka, Rússia, onde havia sido designado para viver em exílio interno após sua liberação do Gulag.

Em 17 de junho de 1935, uma sessão fechada do Colégio Militar do Supremo Tribunal da União Soviética condenou o Arcebispo Bartholomew Remov "à pena suprema, morte por fuzilamento, com confisco de bens. A sentença é final e não cabe recurso." O Metropolita Bartholomew Remov foi executado logo depois.

Após o início da Segunda Guerra Mundial, vários padres jesuítas greco-católicos que se formaram no Russicum em Roma, incluindo os padres Walter Ciszek, Pietro Leoni, Ján Kellner, Viktor Novikov e Jerzy Moskwa, usaram o caos resultante como uma forma de entrar na U.R.S.S. incógnitos, com a intenção de conduzir apostolados clandestinos lá. Todos foram capturados quase imediatamente, tendo sido traídos por Alexander Kurtna, um convertido da ortodoxia estoniana, ex-seminarista do Russicum e informante do NKVD, que trabalhou entre 1940 e 1944 como tradutor leigo para a Congregação para as Igrejas Orientais do Vaticano. Ironicamente, Kurtna e o Pe. Walter Ciszek, que haviam sido amigos no Russicum, se reencontraram em 1948 como prisioneiros políticos no campo de trabalho de Norillag, na região do Gulag soviético.

Após o colapso da União Soviética, os sobreviventes greco-católicos russos começaram a aparecer abertamente. Ao mesmo tempo, o martirológio da Igreja Greco-Católica Russa começou a ser investigado.

Em 2001, o Exarca Leonid Feodorov foi beatificado durante uma Divina Liturgia do Rito Bizantino celebrada em Lviv pelo Papa João Paulo II.

Com a liberdade religiosa experimentada após a queda do comunismo, houve apelos por parte do clero e leigos greco-católicos russos por um novo Exarca. Tal movimento foi fortemente contestado pela Igreja Ortodoxa Russa, o que levou o Cardeal Walter Kasper a persuadir repetidamente o Papa João Paulo II a recusar, por preocupação com os danos ao ecumenismo. Em 2004, no entanto, a mão do Vaticano foi forçada quando uma convocação de padres greco-católicos russos se reuniu em Sargatskoye, Oblast de Omsk, e usou seus direitos sob o direito canônico para eleger o Pe. Sergey Golovanov como Exarca temporário. O Papa então se apressou em substituir o Pe. Sergey pelo Bispo Joseph Werth, então  Administrador Apostólico da Igreja Latina da Sibéria, com sede em Novosibirsk. O Bispo Werth foi nomeado pelo Papa João Paulo II como ordinário para todos os católicos da Igreja Católica Oriental não armênios na Federação Russa. Em 2010, cinco paróquias haviam sido registradas junto às autoridades civis na Sibéria, enquanto em Moscou duas paróquias e um centro pastoral operam sem registro oficial. Também há comunidades em São Petersburgo e Obninsk. 

O padre católico russo Pe. Sergei Golovanov afirmou que três padres greco-católicos russos celebravam a Divina Liturgia Bizantina Russa em solo russo no ano de 2005. Dois deles utilizavam a recensão da Liturgia Russa reformada pelo Patriarca Nikon de Moscou em 1666. O outro padre usava o rito medieval dos Velhos Crentes, isto é, como a recensão litúrgica russa existia antes das reformas do Patriarca Nikon. Todos os católicos orientais na Federação Russa mantêm estritamente o uso do eslavônico da Igreja, embora as liturgias em vernáculo sejam mais comuns na diáspora russa.

Até 2018, houve relatos de 13 paróquias e cinco pontos pastorais na Sibéria, com sete paróquias e três pontos pastorais na Rússia Europeia. Algumas paróquias atendem aos ucranianos na Rússia. O Exarcado tem uma estrutura mínima. Um arcipreste bizantino mitrado atua como Secretário do Ordinário latino. Há um coordenador de padres para as paróquias na Sibéria, além de uma comissão litúrgica e uma comissão catequética.

Os dois Exarcados da Rússia e de Harbin ainda continuam listados no Annuario Pontifico como existentes, mas não foram reconstituídos, nem novos bispos de rito russo foram nomeados para liderá-los. Enquanto, o Exarcado Russo permanece ativo, o de Harbin, na China, foi completamente destruído.

Não existem informações precisas sobre o número de fiéis, de paróquias e de sacerdotes da Igreja Greco-Católica Russa. 

Governo

Sua Excelência Reverendíssima Dom Joseph Werth, S.J.

Ordinário para os Fiéis Greco-Católicos Russos


Nascimento: 4/10/1952 em Karaganda, Cazaquistão.

Ordenação Sacerdotal: 27/05/1984.

Sagração Episcopal: 16/06/1991.

Nomeação: 21/12/2004.



Administração Apostólica dos Greco-Católicos do Cazaquistão e da Ásia Central


A Administração Apostólica dos Greco-Católicos Cazaquistão e da Ásia Central  é uma das 23 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma. 

A presença de fiéis católicos do rito bizantino na Ásia Central remonta ao século XVII, mas era esporádica até o século XX, quando seu número aumentou consideravelmente devido às deportações em massa forçadas realizadas na era stalinista. 

De 1939 a 1953, cerca de 150.000 fiéis da Igreja Greco-Católica Ucraniana foram transferidos para a Ásia Central, a maioria deles para o Cazaquistão. Aproximadamente 150 sacerdotes foram deportados junto com os fiéis, incluindo os mártires beatificados Oleksiy Zarytskyi e Nykyta Budka, e o Servo de Deus Alexander Chira. 

Após 1991, com a dissolução da União Soviética, as atividades da Igreja Católica, incluindo as do rito bizantino, tornaram-se normais. Paróquias greco-católicas foram estabelecidas em Karaganda, Pavlodar, Astana, Satbayev, Shiderty e Almaty; além dessas paróquias, os católicos do rito bizantino formam uma dezena de comunidades espalhadas em outros locais. Em 1996, a Santa Sé nomeou um Visitador Apostólico, que foi substituído em 2002 por um Delegado Apostólico, dependendo da Congregação para as Igrejas Orientais.

A atual Administração Apostólica foi erigida em 1º de junho de 2019 pelo Papa Francisco para todas as paróquias do rito bizantino (ucranianas em maior número). A igreja da Santa Proteção da Mãe de Deus, em Karaganda, no Cazaquistão, é a Sé Catedral.

Abrange além do Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, e conta com cerca de 11 mil fiéis, distribuídos em 6 paróquias e outros centros pastorais.

Governo

Reverendíssimo Arquimandrita Vasyl Hovera

Administrador Apostólico


Nascimento: 11/12/1972 em Ivano-Frankivsk, Ucrânia.

Ordenação Sacerdotal: 2/03/1997.

Nomeação: 1º/06/2019.

Administração Apostólica da Bielorrússia


A Administração Apostólica da Bielorrússia para os fiéis católicos de Rito Bizantino é uma das 23 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

A Igreja Greco-Católica Bielorrussa é a herdeira da União de Brest e da Igreja Rutena. Os fiéis ortodoxos que, através da União de Brest (1595–1596), entraram em plena comunhão com a Sé de Roma, mantendo sua liturgia bizantina na língua eslava eclesiástica, eram inicialmente principalmente bielorrussos. O surgimento do protestantismo no Grão-Ducado e o crescente poder da Igreja Ortodoxa Russa, que em 1589 foi ereta como um Patriarcado independente, foram dois dos fatores que levaram os hierarcas bielorrussos a aceitar a união com a Sé de Roma. Mesmo após a adesão de mais ucranianos à união por volta de 1700, os bielorrussos ainda formavam cerca da metade do grupo. Em 1795, cerca de 80% dos cristãos na Bielorrússia eram greco-católicos, com 14% sendo católicos latinos e 8% ortodoxos.

Quatro bispados greco-católicos existiram em Brest, Polatsk, Smalensk e Pinsk. A Igreja desenvolveu seu ritual e costumes, como uma mistura de seu legado oriental e ocidental. Prelados como Leo Kiska (1668–1728) e outros clérigos utilizavam a língua vernácula, não apenas em seus sermões, mas também em seus escritos. Hinos (kantyčki), canções natalinas (kaladki) e orações, bem como o catecismo, eram recitados e ensinados em bielorrusso. Um corpo completo de música litúrgica bielorrussa para coro, cantores e até órgão foi desenvolvido. Em uma época de crescente polonização, a Igreja Bielorrussa desempenhou um papel inestimável na preservação da integridade da cultura nacional.

Porém, a partição da Polônia-Lituânia e a incorporação de toda a Bielorrússia na Rússia levaram muitos bielorrussos a se unirem à Igreja Ortodoxa Russa. Muitos sacerdotes e fiéis permaneceram em comunhão com Roma. As medidas repressivas aumentaram após a ascensão do czar Nicolau I. Em 1826, a venda de livros litúrgicos greco-católicos em bielorruso foi proibida. Sacerdotes e fiéis rebeldes foram deportados para mosteiros e colônias penais no norte da Rússia, emigraram para a Galícia austríaca ou escolheram praticar em segredo a religião agora proibida. 

Quando, em 1905, o czar Nicolau II publicou um decreto concedendo liberdade de religião, cerca de 230.000 bielorrussos desejavam a união com Roma. No entanto, como o governo se recusou a permitir que eles formassem uma comunidade de rito bizantino, eles se uniram à Igreja de Rito Latino, à qual a maioria dos católicos bielo-russos agora pertence. No entanto, o desejo de restabelecer a Igreja uniata permaneceu um fator poderoso no renascimento nacional bielorrusso do início do século XX. 

Após a Primeira Guerra Mundial, a parte ocidental da Bielo-Rússia foi incluída no estado polonês reconstituído, e cerca de 30.000 bielorrussos ingressaram na Igreja Católica, mantendo sua liturgia bizantina. Em 1931, a Santa Sé enviou-lhes um bispo como Visitador Apostólico.  Após a União Soviética anexar a Bielo-Rússia Ocidental em 1939, foi erigido o Exarcado Apostólico e o Pe. Niemancevič foi nomeado exarca o em maio de 1940, mas dois anos depois, ele foi preso e levado a um campo de concentração soviético, onde morreu. Em 1943, o Exarcado Apostólico foi suprimido.

Quanto aos fiéis refugiados que, desde a Guerra Fria, fundaram centros em Paris, Londres, Lovaine e Chicago, a Santa Sé nomeou Cheslau Sipovich como Visitador Apostólico para os fiéis bielorrussos no exterior em 1960. Ele foi o primeiro bispo católico bielorrusso desde o Sínodo de Polatsk. Um sucessor, Uladzimir Tarasevich, foi nomeado em 1983. Após sua morte em 1986, Alexander Nadson foi nomeado Visitador Apostólico, mas, a seu pedido, não foi elevado ao grau episcopal.

Na década de 1990, com a dissolução da União Soviética, houve um aumento gradual do interesse entre os intelectuais de Minsk pela Igreja Greco-Católica. Em setembro de 1990, foi registrada a primeira paróquia greco-católica desde a Segunda Guerra Mundial. Em 1992, uma pesquisa da Universidade Estatal da Bielorrússia descobriu que 10.000 pessoas em Minsk se identificavam como greco-católicos. Em 1993, estimou-se que o número de greco-católicos na Bielo-Rússia havia crescido para 100.000. Devido à falta de sacerdotes e igrejas, esse interesse não levou à adesão.

Em 1994, o Papa João Paulo II nomeou o Pe. Jan Sergiusz Gajek, M.I.C como Visitador Apostólico para os greco-católicos na Bielorrússia.

Desde 2003, havia 6 paróquias greco-católicas nas cidades de Minsk, Polatsk e Vitsebsk; mais 5 em Brest, Hrodna, Mahiliou, Maladziechna e Lida. Os fiéis bielorrussos eram cerca de 10 mil, sendo 3 mil  permanentemente ligados a essas paróquias.  Já ano de 2015, a Igreja Greco-Católica Bielorussa contava com 20 paróquias, das quais 18 haviam obtido reconhecimento estatal, e 16 sacerdotes para o ministério.

Em 30 de março de 2023, foi criada a Administração Apostólica para fiéis do rito bizantino na Bielorrússia, promovendo o então Visitador Apostólico a Administrador Apostólico, sem lhe conferir o caráter episcopal. 

Governo

Reverendíssimo Arquimandrita Jan Sergiusz Gajek, M.I.C.

Administrador Apostólico


Nascimento: 8/02/1949 em Łyszkowice, Polônia.

Ordenação Sacerdotal: 23/06/1974.

Nomeação: 5/01/1994 como Visitador Apostólico; promovido a Administrador em 30/03/2023.




quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Exarcados Apostólicos Gregos


Os Exarcados Apostólicos dos Gregos, um com sede em Atenas e outro em Istambul, são as duas Sés da Igreja Católica Grega Bizantina, uma das 23 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

Os primeiros passos para criar uma jurisdição específica para os greco-católicos do rito bizantino na parte europeia do Império Otomano foram dados em 1907, quando o sacerdote greco-católico Isaias Papadopoulos foi nomeado vigário-geral para os greco-católicos sob a jurisdição da Delegação Apostólica de Constantinopla.

O Exarcado Apostólico Greco-Católico de Istambul (Constantinopla), na Turquia foi fundado em 11 de junho de 1911, como o Exarcado Apostólico Greco-Católico da Turquia Europeia. Ao mesmo tempo, em 28 de junho de 1911, o Padre Isaias Papadopoulos foi nomeado Bispo titular de Gratianopolis e também foi encarregado da organização inicial do recém-formado exarcado, embora não tenha sido nomeado exarca apostólico. Essa questão teve que ser adiada devido ao início das Guerras Balcânicas (1912-1913), quando o Império Otomano perdeu a maior parte de seu território europeu, e ao consequente início da Primeira Guerra Mundial (1914–1918). O primeiro Exarca Apostólico, George Calavassy, foi nomeado apenas após a guerra, em 1920. O Exarcado na Turquia está vacante desde 1957, em razão do diminuto número de fiéis.

Em 11 de junho de 1932, foi erigido o Exarcado Apostólico Greco-Católico da Grécia, com sede em Atenas. Conta com cerca de 6 mil fiéis em 2 paróquias, servidos por 9 sacerdotes.

Governo

vacante


Eparquia da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria em Strumica–Skopje dos Macedônios


A Eparquia da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria em Strumica–Skopje é a Sé da Igreja Greco-Católica da Macedônia do Norte, uma das 23 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

A história dos católicos de Rito Bizantino na atual Macedônia do Norte está ligada aos movimentos uniatas na Bulgária. Já em 1883, um Exarca Apostólico foi nomeado para o Vicariato Apostólico Búlgaro da Macedônia, permanecendo até 1924 como parte da Igreja Greco-Católica Búlgara. Após o fim da Primeira Guerra Mundial e a fundação da Iugoslávia, o Vicariato foi absorvido pela Eparquia de Križevci da Igreja Croata.

Em 11 de janeiro de 2001, foi erigido o Exarcado Apostólico para os fiéis greco-católicos da Macedônia do Norte, elevado à Eparquia em 31 de outubro de 2018, sob o nome de Eparquia da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria em Strumica–Skopje.

Existem cerca de 12 mil fiéis, distribuídos em 9 paróquias e servidos por 15 sacerdotes. Seu Eparca é igualmente Bispo da Diocese Latina de Skopje.

Governo

Sua Excelência Reverendíssima Dom Kiro Stojanov

Eparca da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria em Strumica–Skopje


Nascimento: 9/04/1959 em Radovo, Macedônia do Norte.

Ordenação Sacerdotal: 6/04/1986.

Sagração Episcopal: 1º/05/1999 como Bispo Auxiliar de Skopje; promovido a Bispo de Skopje e, contemporaneamente, Exarca Apostólico de da Macedônia; em 31/05/2018, tornou-se Eparca da Eparquia de Strumica–Skopje.  

Eparquia de São João XXIII de Sófia dos Búlgaros


A  Eparquia de São João XXIII é a Sé da Igreja Greco-Católica da Bulgária, uma das 23 Igrejas Orientais Sui juris em comunhão com a Igreja de Roma.

Sob o Knyaz Boris (853–889), os búlgaros aceitaram o cristianismo em sua forma bizantina, com a liturgia celebrada em eslavônico eclesiástico. Por várias razões, Boris se interessou em se converter ao cristianismo e planejou fazer isso por meio de clérigos ocidentais fornecidos por Luís, o Germânico, em 863. No entanto, no final do mesmo ano, o Império Bizantino invadiu a Bulgária durante um período de fome e desastres naturais. Pegos de surpresa, Boris foi forçado a pedir paz e concordou em se converter ao cristianismo de acordo com os ritos orientais. Seu sucessor, Simeão, o Grande (893–927), proclamou um Patriarcado Búlgaro autônomo em 917, que ganhou reconhecimento de Constantinopla em 927 e durou até a queda do Primeiro Império Búlgaro em 1018.

Em 1186, o estado búlgaro recuperou sua independência. O Papa Inocêncio III já havia escrito ao czar Kaloyan, convidando-o a unir sua igreja à Igreja Católica, já em 1199. Desejando ostentar o título de Imperador e restaurar o prestígio, riqueza e tamanho do Primeiro Império Búlgaro, Kaloyan respondeu afirmativamente em 1202. Nessa manobra política, ele solicitou que o Papa Inocêncio III lhe concedesse a coroa imperial. Kaloyan também queria que o papado reconhecesse o chefe da Igreja Búlgara como Patriarca. O papa não estava disposto a fazer concessões dessa magnitude, e quando seu enviado, o Cardeal Leão, chegou à Bulgária, ele ungiu o Arcebispo Vasilij de Tărnovo como Primaz dos Búlgaros. Kaloyan recebeu apenas a coroa real, mas não a imperial. Enquanto isso, na tentativa de fomentar uma aliança com Kaloyan, o imperador bizantino Alexios III Angelos reconheceu seu título imperial e prometeu reconhecimento patriarcal.

Em 1235, o Patriarca de Constantinopla reconheceu a independência da Igreja Búlgara e o direito de seu primaz ao título patriarcal. A conquista otomana em 1393 pôs fim a esse patriarcado, cujo território foi reunido ao de Constantinopla. Nas séculos seguintes, a Igreja Búlgara foi gradualmente helenizada: o grego passou a ser usado na liturgia, e os bispos eram, em sua maioria, gregos étnicos.

A ascensão do nacionalismo no século XIX trouxe oposição a essa situação. Durante esse período, houve três principais movimentos uniatas nas terras habitadas por búlgaros. Eles estavam conectados à emancipação nacional do Patriarcado Grego de Constantinopla e sua influência pró-grega sobre a população eslava que vivia nas terras da Trácia e Macedônia. O movimento pela união com Roma inicialmente conquistou cerca de 60.000 adeptos, mas, como resultado do estabelecimento do Exarcado Búlgaro pelo sultão em 1870, pelo menos três quartos desses retornaram à ortodoxia até o final do século XIX. As numerosas mudanças de clérigos da Igreja Ortodoxa para a Igreja Católica e vice-versa não devem ser vistas apenas como caprichos pessoais; elas são sintomáticas do jogo de potências estrangeiras em que o clero se envolveu após o Tratado de Berlim, que deixou a Macedônia e a Trácia sob domínio otomano (após terem sido concedidas à Bulgária com o Tratado de San Stefano em março de 1878).

Esse contexto explica as abordagens de alguns búlgaros influentes a Roma entre 1859 e 1861, na esperança de que a união com Roma garantisse à sua igreja a liberdade que sentiam que Constantinopla estava negando. A figura principal do movimento uniata foi o comerciante búlgaro Dragan Tsankov, que contava com o apoio da França católica. 

O Primeiro Movimento Uniata surgiu em dois centros: Kukush e Constantinopla. Em 1859, cidadãos de Kukush escreveram uma carta ao Papa, na qual reconheciam sua liderança administrativa e espiritual. Em troca, exigiam que nenhuma mudança fosse introduzida em seus ritos litúrgicos e que eles fossem os responsáveis pela escolha de seus bispos e clérigos, com a aprovação do Papa. A carta afirmava que os professores nas escolas da igreja deveriam ser escolhidos pelo clero local e que a educação deveria ser realizada na língua búlgara e em seu "alfabeto nacional". Em 1861, o Arquimandrita Joseph Sokolsky liderou uma delegação a Roma, onde foi recebido pelo Papa Pio IX, que o ordenou como Arcebispo dos católicos búlgaros de rito bizantino em 8 de abril de 1861. No entanto, ele foi quase imediatamente removido e mantido em Kiev pelo resto de sua vida. Essa situação não foi corrigida até 1863, quando Rafael Popov foi eleito bispo e sediado em Adrianópolis. Nesse mesmo ano, um Ginásio Uniata Búlgaro foi fundado em Adrianópolis. O Primeiro Movimento Uniata se espalhou por várias cidades e vilarejos na Macedônia e Trácia, mas não resultou em conquistas concretas. As razões para o fracasso do Primeiro Movimento Uniata podem ser encontradas no caráter político dos movimentos, mais do que na profunda devoção religiosa da população. O povo exigia seu clero local. Eles o obtiveram primeiro por meio do Patriarcado e, depois, através do Exarcado Búlgaro, que foi finalmente estabelecido em 1870.

O Segundo Movimento Uniata começou novamente em Kukush. Em 1874, Nil Izvorov, o Bispo ortodoxo búlgaro de Kukush, escreveu uma carta ao Bispo uniata búlgaro em Constantinopla, Rafael Popov, afirmando que a vontade do povo na Macedônia era se unir à Igreja Uniata Búlgara. Após isso, ele também enviou uma carta ao Papa, pedindo a união. Sua tentativa de união foi bem-sucedida, e no mesmo ano ele realizou serviços em sua nova capacidade como bispo católico uniata. Alguns anos depois, em 1883, ele foi promovido a Arcebispo de todos os Búlgaros Uniatas e foi a Constantinopla. Em 1884, Izvorov voltou para a Igreja Ortodoxa Búlgara. 

Tem início o Terceiro Movimento Uniata com  Epifânio Shanov como bispo após a excomunhão de Mladenov em 1895. Mas, em 1893, a Organização Revolucionária Interna Macedônio-Adrianopolitana já havia surgido como o principal fator búlgaro nas terras macedônicas e trácios e era extremamente anticatólica. Após 1903, os revolucionários e o Exarcado continuaram a agir contra a Igreja Católica. O efeito imediato da partição do Império Otomano durante as Guerras Balcânicas foi a campanha anti-búlgara em áreas sob domínio sérvio e grego. Os sérvios expulsaram clérigos búlgaros. Os gregos incendiaram Kukush, o centro da política e cultura búlgaras. O uso da língua búlgara foi proibido, e seu uso clandestino, sempre que detectado, era ridicularizado ou punido. Os otomanos conseguiram manter a região de Adrianópolis, onde toda a população búlgara da Trácia foi submetida a uma limpeza étnica total pelo exército dos Jovens Turcos. Como resultado das Guerras Balcânicas de 1912–1913 e da Primeira Guerra Mundial de 1914–1918, muitos búlgaros fugiram dos territórios da atual Grécia, Macedônia do Norte e Turquia para o que hoje é a Bulgária. 

Em 1926, um Exarcado Apostólico foi estabelecido em Sofia para os cuidados pastorais dos católicos bizantinos na Bulgária. Isso foi organizado em grande parte com a ajuda do Arcebispo Angelo Roncalli, o futuro Papa João XXIII, que em 1925 foi nomeado Visitador Apostólico e, posteriormente, Delegado Apostólico para a Bulgária, onde permaneceu até 1934. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Bulgária ocupou a maior parte da Macedônia e da Trácia Ocidental. Ao contrário de outros regimes comunistas na Europa Oriental, o governo comunista que assumiu o poder na Bulgária após a Segunda Guerra Mundial não aboliu a Igreja Greco-Católica, mas a submeteu a uma severa perseguição religiosa, que se diz ter sido um pouco aliviada após a eleição do Papa João XXIII em 28 de outubro de 1958.

O Exarcado Apostólico foi elevado à condição de Eparquia em 11 de outubro de 2019, sendo renomeada Eparquia de São João XXIII de Sófia dos Búlgaros. Conta com apenas 10 mil fiéis distribuídos em 18 paróquias e servidos por 16 sacerdotes.

Governo

Sua Excelência Reverendíssima Dom Petko Valov

Eparca de São João XXIII dos Búlgaros


Nascimento: 8/01/1966 em Sófia, Bulgária.

Ordenação Sacerdotal: 11/10/1997.

Sagração Episcopal: 6/07/2024.